sexta-feira


Chego a casa e quando finalmente já fiz tudo que tinha a fazer e me deito na cama exausta, encontro a tua camisa deixada propositadamente ao lado da minha almofada e os lençóis a cheirar a ti, parece que te sinto ao meu lado, eu sei que disse que seria a última vez que o faríamos mas tu já me conheces e sabes como me deixar sem Norte, sabes como deixar cada célula de mim em euforia, sabes demais e o pior é que nem precisaste de muito.
E mais uma vez cá estás tu a meio da noite, és tu e qualquer coisa no jeito que te moves e me envolves, não te consigo tirar da cabeça. Sou viciada em ti, sou viciada em tudo que me faz sentir viva e tu, meu deus, tu fazes me sentir como se fosse imortal. E cá estamos nós em círculos, tu fazes de mim o que queres e eu perco-me em ti como bem entendo, eu digo que basta e tu tanto faz. Arranjas, sempre, forma de rastejar para a minha vida novamente.
És um jogo perigoso, eu não preciso de ti, mas anseio por ti, já tu, não sei o que queres, ora dás tudo de ti e tentas tornar-te no meu centro de gravidade, ora te fechas numa concha e escondeste do mundo.
És um mistério de olhos grandes e olhar profundo, de mãos firmes e movimentos dóceis, voz rouca e ideias ridículas, és como vidro partido na minha pele.
Odeio tudo o que me fazes sentir quando não estou contigo, mas aguardo freneticamente pelos momentos em que me fazes esquecer de tudo, como se vivêssemos num universo paralelo sem complicações onde nós escolhemos a nossa realidade, e só precisamos um do outro, nada mais.
Lembro-me bem de quando fumei o primeiro cigarro, não gostei nada , já todos os que se seguiram, perdi a conta, dizem que o prazer de fumar um cigarro altera o nosso estado de espírito, contigo o princípio foi o mesmo, és terrível, mas viciante.
Vai-te embora mas desta vez, fecha a porta por favor, estás a deixar-me louca, e isso é simplesmente inaceitável!