sábado


E talvez  um dia, depois de conseguirmos alcançar os nossos projetos, nos encontremos num caminho de terra batida de mochila às costas e sonhos realizados. Talvez voltemos a encontrar um no outro novos sonhos e partiremos juntos em busca de novas histórias, talvez despertes em mim uma nova vontade de viver e incendeies a minha mente e a vontade de ver mais e querer mais. Ou talvez, depois de já termos visto e vivido tudo que tínhamos para ver/viver iremos para um sitio novo e por lá ficaremos a reinventarmo-nos e a escrever o nosso próprio fado, as nossas histórias. Talvez os teus olhos ainda me inspirem e a tua boca me leve aos lugares mais recônditos, talvez ainda te deseje da mesma forma ou ainda mais, talvez queira ficar contigo ou quem sabe fugir de ti. Talvez passe a ver todos os sonhos do mundo em ti ou a ver-te em todos os sonhos do mundo. Talvez sejas tudo o que eu quero ou tudo o que nunca sonhei.
Ou então, só nos encontraremos quando formos velhinhos e realizamos que a nossa viagem nos fez crescer, apesar de separadamente, mas que devido à nossa história conseguimos ver as coisas de outra forma e ser felizes nos sítios mais distintos, e estaremos nós sentados numa praia em Gold Coast, a falar sobre a nossa família feliz e a imaginar como teria sido se nos tivéssemos voltado a cruzar mais cedo, mas sem remorsos, apenas com um sorriso na cara e os olhos brilhantes de quem outrora viveu uma grande paixão e seguiu caminhos diferentes para alcançar os seus sonhos, inspiramo-nos mutuamente e ajudamos cada qual a ser melhor sem prender asas ou partir corações, e quem sabe se nessa altura já não estaremos novamente sozinhos e encontremos um no outro o nosso porto seguro, talvez seja altura de deixar a âncora cair por terra, ou será que devíamos navegar eternamente no oceano, mas desta vez, juntos?
Talvez um dia, quem sabe, até lá conquistaremos todos os sonhos que em nós habitam. A ti, nunca um adeus, sempre um até já.